Vaidade na Criatividade do Varejo: um conceito fora de moda

Vaidade na Criatividade do Varejo: um conceito fora de moda

Quando aplicada a nossa vida pessoal, a vaidade pode ser um problema se não soubermos administrá-la. Já no âmbito profissional, em especial no varejo, temos que nos perguntar? até que ponto uma criação exposta ao público tem dono?

Não é  incomum profissionais que atuam em criação tropeçarem nessa pedra no meio do caminho. Por que digo pedra no meio do caminho? Porque mais cedo ou mais tarde vamos encontrar situações que nos colocam em rota de colisão direta com a vaidade.

Por um lado é muito compreensível entender que quem cria acaba se sentindo meio pai e dono da criação, até este ponto é uma atitude normal. O que é bem diferente de TER CERTEZA que é dono. Quando criamos no varejo temos um protagonista que é a MARCA e deve ser sempre com foco nela que usamos nossas habilidades criativas e sensoriais para contar uma história, a qual recebemos de um cliente com um direcionamento estratégico.

Durante o processo criativo vamos nos envolvendo cada vez mais com nossa “criatura”, situação essa excelente pois somente fazendo isso nos sentimos parte do todo. É quando alcançamos o resultado para o qual fomos contratados. Lembrem-se: CONTRATADOS!

Parece tudo muito contraditório, mas tenham certeza que não é. Estamos vivendo um fenômeno mundial. Nunca houve uma sociedade tão criativa, tão inteligente e ao mesmo tempo tão VAIDOSA quanto a atual.

Já passei por isso e continuo vendo acontecer cada vez mais, tanto com meus colegas de trabalho como com as agências de propaganda e mesmo dentro dos departamentos de marketing das empresas. Resultado de varias questões, desde sociais até psicológicas.

Podemos afirmar que isso nada tem de nocivo. Ser vaidoso do seu talento é natural é vital para termos uma postura de confiança. Mas se achar a “última bala do baleiro“ das criações em nada vai ajudar. Isso pode te CEGAR.

Por que estou abordando este assunto um tanto quanto espinhoso?

Pelo simples fato que tudo é cíclico e sempre virá um profissional melhor do que você. É aí que mora um dos grandes perigos, pois ao invés de se aliar a eles, se sua vaidade for cega tenderá a entrar em conflito, tanto de ordem pessoal como profissional. E, inevitavelmente, sua chance de ser descartado será bem alta. Ou, em outro cenário, você pode criar uma situação aonde  vai, mesmo que inconscientemente, eliminar estes novos talentos que vem para somar.

Adoro um comercial fala cujo bordão é “DESAPEGA!“, pois é bem isso que devemos fazer: ao entregar em um trabalho já devemos ter nossa energia focada no próximo e sempre com espírito de superar o projeto passado. E, no final, parabenizar o cliente, que permitiu que fosse liberado o seu potencial criativo.

 

Desenvolvida pela agência We

Aos profissionais de Visual Merchandising só tenho uma coisa a dizer: depois de 30 anos de atuação no mercado, só vi crescerem na carreira e se estabilizarem por anos os que souberam dividir e ter consciência de que a loja não pertence a ele e sim a uma MARCA . Aqueles que integram uma equipe que trabalha de forma que o resultado final pertença a todos.

Basta entender que somos um agente que captura essências e conceitos e os “tridimensionalizam” para os nossos clientes.

E é um tanto quanto pretensioso acharmos que conhecemos o negócio do nosso cliente mais que eles mesmo. Temos que saber ouvir e fazer dele nosso maior aliado. Pode parecer piegas, mas em quase todos os casos somos um instrumento dotado de talento que faz as coisas acontecerem para outrem.

Sempre digo que a criação da loja, stand, trade, corner, vitrine ou o quer que seja será feito a quatro mãos: a da minha empresa e a dele juntas.

Aliás, criador original e puro está cada vez mais difícil de encontrar na era da internet. A grande verdade é que buscamos sempre referências para dar o início ao processo criativo.

Quando meus alunos me perguntam sobre a questão de à quem pertence a ideia, não penso duas vezes para responder:

”A ideia é sua, mas como produto para o mercado ela passa a pertencer à marca e que, em última instância, também não é mais dona de nada. Afinal, se criamos para os clientes dessa marca, o dono é o CLIENTE que comprou e assimilou a sua ideia original . Pois as marcas em si não existem, o que existe são consumidores que as tornam reais!”

Para fechar o pensamento é bom termos SEGURANÇA e PODER DE CAPTURAR ESSÊNCIAS, isso sim pode fazer um profissional ter vaidade. De suas habilidades e não de pertencimento.

SOMA é a palavra de ordem!

 

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