Gula como estética, um dos pecados capitais mais atraentes para o consumidor

Gula como estética, um dos pecados capitais mais atraentes para o consumidor

Consumir é tônico da sociedade contemporânea, e em uma análise quase que filosófica, podemos afirmar que “realmente a única coisa que consumimos literalmente é alimento”.

Só o alimento pode saciar nossa vontade de possuir e de consumir realmente algo, de dizer e sentir que literalmente possuímos este “objeto“, quase como um instinto primitivo. Porém grandes marcas sabem como utilizar muito bem esta vocação humana e convertê-la em impulso de consumo.

Mas além desta questão mais complexa podemos notar que o símbolo do alimentar-se vem de maneira paulatina atingindo todas as esferas da comunicação tanto na mídia convencional, web, quando nas ações de Visual Merchandising de grandes marcas.

Não é difícil encontrarmos propaganda de grandes marcas ou editorias com a cena mais comum a todos os seres humanos: o ato de se alimentar. Saciando assim, uma cadeia onde marca e cliente falam o mesmo idioma: QUERO!

Associar seu produto à comida não é mais ha muito tempo um privilégio do setor de alimentos como nestes editoriais onde temos uma joias descansando sobre um mero ovo frito.

Logicamente este setor não poderia ser deixado de lado, mas com um apelo mais sensual que o convencional, nós vemos campanhas buscando no desejo explícito do ato de consumir. A joia está associada a uma sensação única, na qual o consumidor tem internamente um prazer de pura satisfação hedônica de estar usando o que se assemelha ao estar saciado ao se alimentar. Um prazer quase que luxuriante.

Como a Lavazza que coloca uma linda mulher em um suculento prato de espaguete.

Calendário Lavazza

Printemps, Tiffany’s, Fendi entre varias outras marcas entendem bem este  principio, tanto que o Visual Merchandising proposto quase sempre podemos nos deparar com uma simples alusão a comida ou mesmo uma Festa de Babette.

Printemps

 

O fato é que gula está diretamente ligada à luxúria, a subverter os padrões e se fartar do que deseja, colocando o hedonismo em rota direta com grandes marcas e em estado de atenção total, o que vai levar em última instância ao impulso de consumir .

O luxo se apropria deste padrão com maestria, afinal não apenas posso comprar mas posso debochar do pecado capital liberando meus instintos e desejos em forma de um produto do qual possuo.

Em síntese é fazer do consumidor um pecador nato, pecar, pois “quero e posso”. Como Maria Antonieta, rainha perdulária que nos fascina e mostra que deixar-se levar pelos prazeres é o verdadeiro luxo.

E cá pra nós, quem nunca perdeu a cabeça por uma joia, um belo vestido, uma viagem ou mesmo um par de sapatos?

Pois é, isso é a gula, o não controlar-se simplesmente porque não quer. Alimentar-se de tudo que me faz sentir especial, consumir e ser consumido, em uma simbiose quase que erótica e proibida.

Mas os alimentos tem um outro poder ao observador ou consumidor, o da ALEGRIA. É comum muitas cenas serem diretamente ligadas ao bom humor e aí abre muito mais o leque de públicos alvos a serem atingidos, como por exemplo os jovens.

Storytelling perfeito, pois o alimento em si, já conta uma historia, tanto de refinamento como de brincadeira.

O tema pode ser muito observado em datas comemorativas e o natal sem duvida alguma é o campeão em sua utilização.

É necessário ficarmos atento ao fato que o ritual da comida, como doces, banquetes, bolos ou cake estão associados ao comemorar e nada mais inteligente do que comemorar junto ao cliente qualquer situação.

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